Geraldo Nogueira: Com que frequência você faz sexo?

Quando o assunto é sexo, a sociedade brasileira ainda é conservadora e cheia de tabus. Recentemente a divulgação do acordo pré-nupcial de Jennifer Lopez e Bem Affleck, que prevê o compromisso de 4 (quatro) relações sexuais por semana, chamou a atenção da imprensa europeia. Por outro lado, a comédia romântica, “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa’ de Woody Allen, Oscar de melhor filme em 1978, revelou-nos uma outra realidade, ao mostrar as personagens centrais da trama - casal Annie e Alvie - simultaneamente em diferentes consultórios, com seus terapeutas, quando estes apresentam-lhes a mesma pergunta: com que frequência faz sexo? “Quase nunca, três vezes por semana”, diz ele. “Constantemente, três vezes por semana”, afirma ela de outro lado.

Melhor é falar dos benefícios do sexo do que apresentar dados sobre a quantidade de relações sexuais considerada ideal, pois certamente caberá a cada um instituir o seu próprio número ideal. Sabe-se que o sexo é algo importante para uma vida saudável e feliz.

Fortalece a autoestima, revigora o sistema imunológico, promove o alívio das tensões e traz bem-estar à vida pessoal e em companhia. É também, o caminho natural de preservação da espécie, mesmo que ninguém pense em sexo visando a procriação, pois o desejo é o seu impulsionador, manifestado na sexualidade. Quando falamos sobre sexualidade, pensamos em corpos simétricos em movimentos e toques, permitindo o extravasamento dos desejos, até que o conjunto de todos estes ingredientes leve ao que podemos conceituar por sexo. Os que não têm interesse por relações sexuais são considerados pessoas assexuais, aquelas cuja libido é canalizada para outra atividade, seja profissional ou de lazer. No entanto, quando pensamos em corpos assimétricos, limitados por alguma deficiência, julgamos tratar-se de pessoas assexuadas, com disfunção sexual e falta da libido, portanto, sem possibilidades de manter relações sexuais. Anjos inocentes, eternas crianças, especiais etc. Pensamentos e expressões, capazes de manter a pessoa com deficiência privada de sua sexualidade.


A sexualidade de um indivíduo com deficiência, muita das vezes considerada inútil, é necessária a ele como valor de vida. Incontáveis pessoas com limitações físicas sofrem por conta dos impedimentos que sua condição traz à livre expressão da sexualidade. Desejos explodem em corpos jovens e disformes, enquanto familiares movidos por tabus e preconceitos impõem-lhes a penitência da abstinência sexual, alicerçado na falsa premissa da infantilidade ou angelicalidade do indivíduo. A abordagem do tema da assistência sexual para pessoas com deficiência, ainda é tímida, quase inexiste no Brasil. As discussões são mantidas no âmbito acadêmico ou da ciência. Mas nem tudo se resume à técnica ou ao pragmatismo da ciência. As famílias precisam acreditar na sexualidade dos seus filhos e filhas com deficiência. Não precisa de validação científica. Não há dúvidas. Confia e acredita. E isso basta!

Precisamos falar de assistência sexual, ir além do conhecido. Sentirmo-nos humanos, isto é autoconhecimento. Expressar livremente a sexualidade é algo que permite uma vida mais intensa e produtiva. Isso é bom e pujante. E pode até ser todos os dias. O mundo não vai se importar.


*Geraldo Nogueira é presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência OAB-RJ (CDPD)

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